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Renascer aos 40

Para os que depois dos 40 começam uma vida nova... e para todos os outros também... "Nascer, morrer, renascer ainda, e progredir sempre..., tal é a lei."

Renascer aos 40

Para os que depois dos 40 começam uma vida nova... e para todos os outros também... "Nascer, morrer, renascer ainda, e progredir sempre..., tal é a lei."

Uma história para refletir...

VALE A PENA LER, É SURPREENDENTE!

 

«Naquela noite, enquanto a minha esposa servia o jantar, eu segurei a sua mão e disse: "Tenho algo importante para te dizer".

Ela sentou-se e jantou sem dizer uma palavra. Pude ver o sofrimento nos seus olhos.

De repente, eu também fiquei sem palavras. No entanto, eu tinha que dizer-lhe o que se estava a passar. Eu queria o divórcio. E abordei o assunto calmamente.

Ela não parecia irritada pelas minhas palavras e simplesmente perguntou em voz baixa: "Porquê?"

Eu evitei responder, o que a deixou furiosa. Ela atirou os talheres para longe e gritou "você não é homem!"

Naquela noite, nós não conversamos mais. Pude ouvi-la chorar. Eu sabia que ela queria um motivo para o fim do nosso casamento, mas eu não tinha uma resposta satisfatória para esta pergunta. O meu coração não lhe pertencia mais e sim à Jane. Eu simplesmente não a amava mais, sentia pena dela.

Sentindo-me muito culpado, fiz um rascunho do acordo de divórcio, deixando para ela a casa, o nosso carro e 30% das acções da minha empresa.

Ela pegou no papel e rasgou-o violentamente.

A mulher com quem vivi nos últimos 10 anos tornou-se estranha para mim. Eu fiquei com dó deste desperdício de tempo e energia mas não voltaria atrás na minha decisão, pois amava a Jane profundamente. Finalmente ela começou a chorar alto, na minha frente, o que já era esperado. Eu senti-me libertado enquanto ela chorava. A minha obsessão pelo divórcio nas últimas semanas finalmente materializava-se e o fim estava agora mais perto.

No dia seguinte, eu cheguei a casa tarde e encontrei-a sentada na mesa a escrever. Não jantei e fui directamente para a cama dormir, pois estava cansado depois de ter passado o dia com a Jane.

Quando acordei, no meio da noite, ela ainda estava sentada à mesa a escrever. Eu ignorei e voltei a dormir.

Na manhã seguinte, ela apresentou-me as suas condições: ela não queria nada meu, mas pedia um mês de prazo para conceder o divórcio. Ela pediu que durante os próximos 30 dias tentássemos viver da forma mais natural possível. As suas razões eram simples: o nosso filho faria os exames no próximo mês e precisava de um ambiente propício para se preparar bem, sem os problemas de ter que lidar com a separação dos seus pais.

Isso pareceu-me razoável, mas ela acrescentou algo mais... Ela lembrou-me  do momento em que eu a levei ao colo para dentro da nossa casa no dia em que nos casamos e pediu-me  que durante os próximos 30 dias eu a levasse ao colo para fora de casa todas as manhãs. Eu então percebi que ela estava completamente louca mas aceitei a sua proposta para não tornar os meus próximos dias ainda mais intoleráveis.

Eu contei à Jane o pedido da minha mulher e ela riu-se muito e achou a ideia totalmente absurda. "Ela pensa que impondo condições vai mudar alguma coisa, o melhor é ela encarar a situação e aceitar o divórcio", disse Jane em tom de gozo.

A minha mulher e eu não tínhamos nenhum contacto físico havia já muito tempo, então eu levei-a ao colo para fora de casa no primeiro dia, foi totalmente estranho. O nosso filho aplaudiu-nos dizendo "O pai está a levar a mãe ao colo!" As suas palavras causaram-me constrangimento. 

Do quarto para a sala, da sala para a porta da entrada da casa, eu devo ter caminhado uns 10 metros levando a minha mulher ao colo. Ela fechou os olhos e disse baixinho "Não contes ao nosso filho sobre o divórcio". Eu abanei a cabeça, mesmo discordando, e então coloquei-a no chão assim que atravessamos a porta da entrada da casa. Ela foi apanhar o autocarro para o trabalho e eu fui de carro para o escritório.

No segundo dia foi mais fácil para nós os dois. Ela apoiou-se no meu peito e eu senti o cheiro do perfume que ela usava. Então eu percebi que há muito tempo não prestava atenção nessa mulher. Ela certamente tinha envelhecido nestes últimos 10 anos, havia rugas no seu rosto, o seu cabelo estava mais fino e grisalho. O nosso casamento teve muito impacto nela. Por uns segundos cheguei a pensar no que havia feito para ela estar neste estado.

No quarto dia, quando a levantei, senti uma certa intimidade maior com o corpo dela. Esta mulher havia dedicado 10 anos da sua vida a mim.

No quinto dia a mesma coisa. Eu não disse nada à Jane, mas ficava cada dia mais fácil levá-la do nosso quarto para a porta de casa. Talvez os meus músculos estejam agora mais firmes com o exercício, pensei.

Certa manhã, ela estava a tentar escolher um vestido. Ela experimentou uma série deles mas nenhum lhe servia. Com um suspiro ela disse "Todos os meus vestidos estão largos para mim". Eu então percebi que ela realmente tinha emagrecido bastante, daí a facilidade em levá-la ao colo nos últimos dias.

A realidade caiu sobre mim com uma ponta de remorso... ela carrega tanta tristeza no seu coração... Instintivamente eu estiquei o braço e toquei nos seus cabelos.

O nosso filho entrou nesse momento e disse "Pai, está na hora de levares a mãe ao colo". Para ele, ver o pai levar a mãe ao colo todas as manhãs tornou-se parte da rotina da casa.

A minha mulher abraçou o nosso filho e segurou-o nos seus braços por alguns longos segundos. Eu tive que sair de perto, temendo mudar de ideia, agora que estava tão perto do meu objectivo.

Em seguida, eu levei-a nos meus braços, do quarto para a sala, da sala para a porta da entrada de casa. A sua mão repousava no meu pescoço. Eu segurei-a firme contra o meu corpo. Lembrei-me do dia do nosso casamento. Mas o seu corpo tão magro deixou-me triste.

No último dia, quando eu a segurei nos meus braços, por algum motivo não conseguia mover as minhas pernas. O nosso filho já tinha ido para a escola e eu vi-me a pronunciar estas palavras: "Eu não percebi o quanto perdemos a nossa intimidade com o tempo".

Eu não consegui conduzir para o trabalho... fui até a minha futura morada, saí do carro apressadamente, com medo de mudar de ideias... Subi as escadas, bati à porta e disse-lhe: "Desculpa Jane. Eu não quero mais divorciar-me".

Ela olhou para mim sem acreditar e tocou na minha testa "Estás com febre?"

Eu tirei a mão dela da minha testa e repeti "Desculpa Jane. Eu não me vou divorciar. O meu casamento ficou chato porque nós não soubemos valorizar os pequenos detalhes da nossa vida e não por falta de amor. Agora eu percebi que desde o dia em que peguei na minha mulher ao colo, no dia do nosso casamento, para a nossa casa, eu devo segurá-la até que a morte nos separe.

A Jane não percebeu que era sério. Deu-me uma bofetada no rosto, bateu com a porta na minha cara e pude ouvi-la chorar compulsivamente. Eu voltei para o carro e fui trabalhar.

Na loja de flores, a caminho de casa, eu comprei um bouquet de rosas para a minha mulher. A empregada perguntou-me o que gostaria de escrever no cartão. Eu sorri e escrevi: "Eu levar-te-ei nos meus braços todas as manhãs, até que a morte nos separe."

Naquela noite, quando cheguei a casa, com o bouquet de flores na mão e um grande sorriso no rosto, fui direito ao nosso quarto onde encontrei a minha mulher deitada na cama, morta.

A minha mulher estava com cancro e estava a tratar-se à vários meses, mas eu estava muito ocupado com a Jane para perceber que se passava algo com ela. Ela sabia que ia morrer em breve e quis poupar o nosso filho dos efeitos de um divórcio - e prolongou a nossa vida juntos proporcionando ao nosso filho a imagem de nós os dois juntos todas as manhãs. Pelo menos aos olhos do meu filho eu sou um marido carinhoso.

Os pequenos detalhes da nossa vida são o que realmente conta num relacionamento. Não é a casa, o carro, os terrenos, o dinheiro no banco. Estes bens criam um ambiente propício à felicidade, mas não proporcionam mais do que conforto.

Portanto, encontre tempo para ser amigo(a) da(o) sua(eu) companheira(o), façam pequenas coisas, um para o outro, para se manterem próximos e íntimos. Tenham uma união real e feliz!

 

Se você não dividir isso com alguém, nada vai acontecer.

Mas se escolher partilhar com alguém, talvez salve uma união. Muitos fracassados na vida são pessoas que não perceberam que estavam tão perto do sucesso e preferiram desistir...»

Rubens Lima