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Renascer aos 40

Para os que depois dos 40 começam uma vida nova... e para todos os outros também... "Nascer, morrer, renascer ainda, e progredir sempre..., tal é a lei."

Renascer aos 40

Para os que depois dos 40 começam uma vida nova... e para todos os outros também... "Nascer, morrer, renascer ainda, e progredir sempre..., tal é a lei."

O Estranho na nossa Família...

Vale a pena pensar nisto...

"O ESTRANHO

Alguns anos depois de ter nascido, o meu pai conheceu um estranho, recém-chegado à nossa pequena cidade.

Desde o princípio, o meu pai ficou fascinado com este encantador personagem, e de seguida convidou-o a viver com a nossa família.

O estranho aceitou e desde então tem estado connosco.

Enquanto eu crescia, nunca perguntei sobre o seu lugar na minha família. Na minha mente jovem já tinha um lugar muito especial.

Os meus pais eram instrutores complementares.

A minha mãe ensinou-me o que era bom e o que era mau e o meu pai ensinou-me a obedecer.

Mas o estranho era o nosso narrador.

Mantinha-nos enfeitiçados por horas com aventuras, mistérios e comédias.

Ele tinha sempre respostas para qualquer coisa que quiséssemos saber de política, história ou ciência.

Conhecia tudo do passado, do presente e até podia predizer o futuro!

Levou a minha família ao primeiro jogo de futebol.

Fazia-me rir e fazia-me chorar.

O estranho nunca parava de falar, mas o meu pai não se importava.

Às vezes, minha mãe levantava-se calada, enquanto o resto de nós ficava a ouvir o que ele tinha a dizer, mas só ela ia à cozinha para ter paz e tranquilidade. (Agora pergunto-me se ela teria rezado alguma vez, para que o estranho fosse embora).

Meu pai dirigia o nosso lar com certas convicções morais, mas o estranho nunca se sentia obrigado a honrá-las.

As blasfémias, os palavrões, por exemplo, não eram permitidos na nossa casa, nem da nossa parte, nem por parte dos nossos amigos ou de qualquer um que nos visitasse. Entretanto, o nosso visitante de longo prazo, usava sem problemas a sua linguagem inapropriada que às vezes queimava os meus ouvidos e fazia o meu pai retorcer-se e a minha mãe ruborizar.

O meu pai nunca nos deu permissão para tomar álcool. Mas o estranho animou-nos ao tentá-lo e a fazê-lo regularmente.

Fez com que o cigarro parecesse fresco e inofensivo, e com que os charutos e os cachimbos fossem distinguidos.

Falava livremente (talvez demasiado) sobre sexo. Seus comentários eram às vezes evidentes, outras sugestivos, e geralmente vergonhosos.

Agora sei que os meus conceitos sobre relações foram influenciados fortemente durante a minha adolescência pelo estranho.

Repetidas vezes criticaram-no, mas ele nunca fez caso dos valores dos meus pais, mesmo assim, permaneceu no nosso lar.

Passaram-se mais de cinquenta anos desde que o estranho veio para a nossa família. Desde então mudou muito, já não é tão fascinante como era ao principio.

Não obstante, se hoje você pudesse entrar na guarida dos meus pais, ainda o encontraria sentado no seu canto, esperando que alguém quisesse escutar as suas conversas ou dedicar o seu tempo livre a fazer-lhe companhia...

O seu nome?

Nós chamamos-lhe Televisor

...

Pede-se que este artigo seja lido em cada lar.

 

Obs.: Agora, este Televisor tem uma esposa que se chama Computador, e um filho que se chama Telemóvel! E dois inimigos: o (bom) livro e a (boa) música!"